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Wednesday, March 5, 2014

GRAVIDADE ("Gravity" - Alfonso Cuarón - SciFi, Drama)


            Eu sempre fui fã de carteirinha dos clássicos ficção científica. Como era maravilhosa a saga Star Wars (1977), com toda sua capacidade de fazer uma criança imaginar possíveis milhões de coisas sobre o desconhecido e morrer de medo de noite (e de tentar levantar tudo com a força), ou a saga Exterminador do Futuro (Terminator - 1984), que passou por grandiosa parte da minha infância como um futuro a se temer, e ainda é - apesar da curiosidade sobre esse futuro que os anos me deram, ou até mesmo o clássico blockbuster sem sentido Predador (Predator - 1987), que me fez acreditar que se eu abrisse os olhos no escuro do quarto à noite, alguma coisa com garras, que eu não poderia ver, iria me arrancar a coluna pra fazer troféu, e iria pendurar meu corpo sangrento numa árvore por aí. Ah, infância saudável.
            Bom, méritos nostálgicos à parte, Gravidade (Gravity - 2013) conquistou um lugarzinho especial (apesar de clássicos serem clássicos por um motivo) junto às ficções que eu tanto amava, justamente por encaixar nelas como uma luva naquilo pelo que, nelas, eu amava; e outras, claro, que eu vim a amar com o tempo. Mas, diferente desses aí em cima, Gravidade tem um fator interessante: além de se tratar de um filme moderno, com efeitos modernos (alguém lembra do boneco mal-feito do Arnold Sclkaopakopkger quando ele vai tirar o olho danificado fora, no clássico Terminator de 1984?), esta belezura trata da pressão psicológica da situação, e de tudo que vier dali. Um diretor bom mostra só o que quer, o que precisa; pois é: o espaço ali serve de palco, e é só o intensificador - e que intensificador! 
            Vamos por partes: primeiro, que efeitos visuais! 3D convincentes demais. Essa visão magnífica de tudo lá de cima, sem palavras - can't beat the view. E como essa grandiosidade do espaço assusta, diminui o medo das outras coisas que você tiver, como se fosse o novo paradigma do medo... Tem medo de altura? Eu tenho. Curioso, lá é o mais alto de onde dá pra cair - e eu penso nisso mais do que na beleza da visão. Quantas vezes, durante o filme, sem querer eu me pegava segurando na cadeira pra não ir junto com a cena. Ora, pois, além do mais, o que é mais assustador do que o desconhecido, do incontrolável, da incomunicabilidade, de ter a plena consciência e da condição desesperadora de ninguém poder ouvir você gritar de pânico, de saber que vai morrer e como isso vai acontecer, do desespero? - não dá para ficar pior do que isso.  E como essa visão do sublime hostil se encaixou com perfeição com o drama que se desenvolve no filme. Em cima de tudo, temos o que eu chamaria da grande massa emocional: uma tripulante de primeira viagem que fica presa, sozinha, sem qualquer auxílio externo, e que precisa lutar pela sobrevivência. Não no mar, não na selva - no espaço. E que a situação faz com que a compaixão aproxime o espectador dela. Pois é, um tema simples com a direção incrível. Ótimo - mais do que ótimo! - trabalho do diretor Alfonso Cuarón. Mereceu cada elogio que recebeu. 
           Sandra Bullock subiu tanto - mas tanto - no meu conceito (que não vale de nada, nada mesmo), que agora eu até quero vê-la atuando por aí. Pelo menos agora ela agora tenha tido a sorte (para mim, sei lá) de ser escolhida para algo que eu goste. Claro, isso é uma dos grandes preconceitos que eu tenho, mas confesso que desde que "assisti" Miss Simpatia (Miss Congeniality - 2000), eu tenho evitado qualquer coisa na qual ela atue. O motivo é simples: independente da qualidade de atuação, parece que eu já não vou gostar antes mesmo de assistir, e isso me faz não querer antes de mais nada - como o que aconteceu com A Casa do Lago (The Lake House - 2006), que eu pausei nos primeiros minutos e não quis continuar, porque, veja, "é ela, deve ser ruim". Mas, curiosamente, aqui foi uma senhora de uma atuação. Com a idade, a experiência deve ter vindo - ou é só meu preconceito falando porque eu gostei do filme, sei lá. De qualquer modo, me convenceu. A astronauta rookie se desesperando, a àgua metafórica do destino espacial potencialmente curto batendo na bunda metafórica do medo que ela tinha de fazer qualquer coisa lá em cima faz com que a necessidade tome forma de atitude e ela se torne uma sobrevivente em meio ao ambiente hostil. Poético, emocionante e bonito? Best-seller, claro.
            Apesar de tudo isso, é fato que é um enredo simples, pelo menos à primeira vista, mas simples também é bom quando bem feito. Ainda assim suponho que esse um filme assuste e espante e maravilhe de primeira instância - e pelos motivos óbvios -, mas que merece (e talvez justamente por assustar e espantar e maravilhar que mereça) uma segunda análise, uma segunda "assistida", porque algumas coisas podem sair do foco. Mas, em última análise, um ótimo filme.

Joaquim Isaac Guimarães Candido

2 comments:

  1. Admirável sua capacidade de escrita. Cheguei aqui incrivelmente por acaso (desculpa de uma típica stalker das interwebs) e esta crítica me agradou de tal modo que incluirei o filme na minha lista de "prioridades da ficção científica". Topei com outras escritas suas e elas me chamaram a atenção por algum motivo. Enfim, continue escrevendo e postando para que pessoas desocupadas e fanáticas por textos como eu tenham a oportunidade de conhecer o que você produz com tanto esmero.

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  2. Obrigado, viu? Venha mais vezes, é importante pra nós. Esse blog é um projeto que tá levemente estagnado dados nossos prazos da faculdade e a falta de cabeça que a gente adquire nessas situações, mas que pretendemos levar adiante mais reguladamente em um futuro próximo. Agradeço forte e sinceramente pelos elogios, é gratificante.

    Até!

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